No fim-de-semana de 5 e 6 de Setembro decorria uma Acção de Limpeza no PNPG promovida pelo Rui Barbosa do blogue Carris. Já no ano anterior eu tinha participado na 1.ª acção, mais localizada, que decorreu nas Minas dos Carris.
Este ano estava decidido a juntar-me nesta acção mais abrangente que incluía a zona do Vale Teixeira, Arado e Pedra Bela, Portela do Homem, Portela de Leonte, Mata da Albergaria, Carris e Pitões de Júnias.
Endereçei convites a alguns amigos e não obtive qualquer resposta. Compreendo que sair da cama às 07h00 de um sábado para ir limpar o lixo dos outros não seja muito apelativo...
De tal maneira que também eu adormeci...
Mas isso não me ia impedir. Na parte da tarde consegui reunir 2 nobres companheiros e decidimos partir para a zona da Calcedónia que não estava na lista das acções de limpeza mesmo sendo uma das zonas que recebe mais domingueiros no PNPG.
Começamos a caminhar por volta das 16h00 (muito tarde). Saímos da estrada que liga as caldas do gerês a Campo/Covide em direcção à Fenda da Calcedónia. O objectivo era ir à zona da Fenda, recolher o lixo que por lá houvesse e voltar pelo mesmo percurso para sermos 'recolhidos' pelo carro vassoura.
E então quem foram os 2 companheiros? Pois é, o Pulga (aka Zé) e o Eddie Tamisa (aka Tone). 12 anos e 18 anos acabadinhos de fazer, respectivamente.
Deixamo-nos envolver no misticismo que envolve a zona que antecede a entrada da Fenda... Árvores centenárias que brotam do granito, pedras sobrepostas, passagens por pequenas grutas, todo um cenário que nos leva ao imaginário do Indiana Jones, como referiu o Tone.
Chegamos à entrada da Fenda e lá estava ele: o lixo. Dezenas de garrafas de plástico espalhadas um pouco por toda a parte. Depois de recolhido o lixo, que encheu um saco, fomos espreitar a entrada da Fenda.
Pequeno parentesis
Se bem me lembro, esta foi a minha quarta ida àquele lugar. Duas tentativas iniciais de encontrar a entrada da Fenda e uma subida da mesma. Estas incursões anteriores foram com os meus companheiros de caminho, os pais da Liepa. E subir a Fenda foi uma experiência fabulosa. Pela aventura, pela sensação de perigo, pela cara de horror do pai da Liepa... :)
A Fenda terá cerca de 1 metro e qualquer coisa de largura, uns 30, 40 metros de altura e uns 60 de extensão (não são muito bom com estas coisas de distâncias), onde o Sol apenas entra por pequenas aberturas lá em cima. A ideia é subir pedra após pedra, arranhão após arranhão, puxa aqui, empurra ali, com muita entreajuda até desembocar numa estreita saída (a verdadeira luz ao fundo do túnel) que nos permite usufruir de uma vista 360º absolutamente fabulosa...
Fim do pequeno parentesis
Ali estavamos (eu, o pulga e o tone) a contemplar a imponência daquele lugar e a sentir a sua atracção (dá mesmo vontade - ou não - de ir por ali acima).
Claro que não podíamos ir, tinhamos o caminho de regresso para fazer. Decidimos não voltar para trás (qual é a piada disso?) e seguimos em direcção a Covide.
No total terão sido cerca de 7 km onde o mais importante foi termos dado o nosso contributo para manter o Parque Nacional Peneda-Gerês mais limpo, e mais uma tentativa de incutir o 'bichinho' das caminhadas aos 'meus' miúdos.
Acabamos a tarde num café em frente ao S. Bentinho da Porta Aberta a brindar à sensação de dever cumprido.