segunda-feira, 26 de outubro de 2009

BTT - Volta a Braga


Passeio BTT

Domingo, 25 Outubro 2009

Braga

Preto, Tone Hacker e Nuno 'Golden Whistle' Oliveira

Distância: 25,2km

Tempo: 2h45m

Velocidade média: 9Km/h


Gráfico Altimetria


Percurso Google Earth

No Domingo de manhã lá partiram os 3 estarolas. A partida junto ao Cemitério do Monte D’Arcos estava combinada para as 08h30 complicou-se com a mudança da hora (alguns artistas têm relógios automáticos) e só começamos cerca das 09h15.

Eu e o Tone estreantes com bicicletas emprestadas mas com ares de gente que leva a coisa a sério: capacete, calçãozinho justo e muita vontade (houve um que até levou GPS, mas já lá vamos…).

O tempo estava óptimo. Nublado com chuva miudinha e sem frio.

O passeio planeado tinha cerca de 33 kms e passaria pelas Sete Fontes, Nascente do Este, Sameiro, Santa Marta e Esporões.

Objectivo 1 – Sete Fontes: Queríamos subir as ‘mães de água’ até ao local de construção do novo Hospital. O meu sentido de orientação àquelas horas da manhã não deve ser o melhor pois não encontrei a rua que nos levava ao início do percurso. Às voltas entre o denso mato (versão oficial)1 acabei por esbarrar o joelho esquerdo com violência contra um enorme pinheiro (versão oficial)2. Acabamos por chegar à Mãe de Água seguindo paralelo ao Quartel Militar.

Objectivo 2 – Nascente do Este: Começamos a descer apreciando as obras do novo Hospital e rapidamente estávamos na estrada de Gualtar. Queríamos seguir pelas ruelas de Gualtar até ao túnel que atravessa a variante do Fojo. Mais um tiro, mais um melro. Acabamos a virar as bicicletas à mão enquanto um cão nos dava a entender que não éramos bem-vindos à casa do dono dele. Conclusão, acabamos por seguir pela variante.

Variante para trás, preparamo-nos para iniciar a subida até à Nascente do Este. Ai aquelas subidas… o Oliveira sempre à frente pedalando ritmado e, quando não olhava para trás, lá estavamos eu e o Tone a desmontar da bicla e a empurrá-la estrada acima.

Entramos na Geira, mais um empurrãozito e parámos para comer uma barra, fumar um cigarro e dar duas de treta por entre a música pimba que ecoava pelo monte todo provinda de uma qualquer festança popular.

Na próxima etapa pedalamos um pouco e empurramos um pouco mais até chegar à Nascente onde um grupo considerável de BTT’eiros fazia uma pausa.

Objectivos 3,4 e 5 – Sameiro, Sta. Marta e Esporões: abandonados por falta de pernas e tempo. Seguimos à esquerda pelo estradão até ao campo de futebol.

Aqui disfrutamos uma das partes mais libertadoras da manhã; estava na altura de lavar as biclas e o que melhor para isso senão atravessar uns grandes charcos de água?... O Tone ainda tentou passar devagarinho e de fininho para não se sujar mas acabou encharcado quando o Oliveira inadvertidamente (ou não) passou por ele de gás.

Tentamos mais um caminho, voltamos a não encontrar saída.

Descemos à Rita (sem conotações sexuais…) e, à chuva, pedalamos a bom ritmo (pena ser em asfalto) até ao local de partida. Na descida da Rita ao Fojo chegamos a alcançar os 43Kmh o que, para os dois caloiros e tendo em conta a chuva, não foi nada mau.

Eu e o Tone acabamos a manhã na esplanada a celebrar com uma carioca de limão e um pingo directo (ou duas minis, não me lembro bem) enquanto o Oliveira rumava a casa já atrasado para o almoço.

Valeu o tempo passado, foi uma óptima experiência apesar das dores no joelho que vão ficar por cá mais alguns dias e o rabo dorido da falta de ‘calo’.

Ficou já combinada a próxima: Ciclovia Ponte de Lima.


1 Na verdade, o denso mato pode ter sido um conjunto de prédios altos

2 Na verdade, o enorme pinheiro pode ter sido um corrimão de uma rampa algures no meio dos prédios por trás do Outlet. Claro que um aspirante a BTTeiro não pode dizer ter-se magoado nestas circunstâncias tão ‘citadinas’.

domingo, 4 de outubro de 2009

Caminhada Aniversário - Pedra Bela - Teixeira - Arado

>Fotos em Breve<

Caminhada Aniversário
26-09-2009
Perda Bela - Carvalha Éguas - Teixeira - Cascata Arado
Inicio - Cruzamento Pedra Bela (15h40)
Final - Cascata do Arado (19h10)
Duração - 3h30
Extensão - 8.0km
Ponto mais elevado - 1050m
Ponto mais baixo - 754m


Percurso Google Earth



Perfil Altitudes



Caminhada depois do almoço... boca aqui, boca ali, e pensei para mim: se calhar vou mesmo sozinho...!
Nada disso! Lamentos à parte, lá partimos do cruzamento da Pedra Bela 14 caminheiros (Eu, Nancy, Bruxa, Chino, Andreia, Rocha, Pai, Padrinho, Tone, Zé, Rui Pedro, Trinta, Simões e Maria João).
Por entre as confusões de quem seria o fotógrafo e quem seria o portador do GPS (Zé e Rui) lá avançamos... Partiamos em direcção à Carvalha das Éguas e cedo nos cruzamos com um casal de estrangeiros: "Hello" digo eu, "Bum dia" respondem eles... manias.
Rapidamente chegamos à Carvalha das Éguas onde paramos para apreciar o estado do abrigo e o Magnífico(a) Carvalho... Deve ser das árvores mais fabulosas que já vi... Os garranos tomavam conta de nós.
Seguimos para o próximo objectivo: o curral da espinheirinha (ou do vidoeiro). Assim que saimos da Carvalha cruzamo-nos com um rebanho de cabras. Pânico entre alguns... afinal os nossos caminhos cruzavam-se e alguns pares de cornos fazem pensar duas vezes... Nada a recear. Os bons dos bichos vão-se desviando para onde podem (qualquer sítio), e o pastor vem já atrás.
"O senhor dorme cá no monte?" pergunta um dos caminhantes. "Eu não sou selvagem", responde o pastor... :) Dois dedos de conversa e admiração por conduzir cerca de 300 cabeças de gado monte fora e lá seguimos.
Daí a nada estavamos na espinheirinha. Alertei e apontei a subida. A Bruxa demonstrava alguma indisposição que me preocupou durante cerca de 2,5 segundos. Siga.
A subida foi tão longa quanto o agoniar da Bruxa. Lá chegamos acima onde paramos para apreciar a fabulosa paisagem e algumas excentricidades graníticas.
O pior tinha passado. Próximo objectivo: cabana da Teixeira. Fomos descendo. Os 2 miúdos ganharam um súbito ânimo ao ver o prado à vista e foram andando. Gostei de os ver calcorrear o trilho como se estivessem sozinhos e o conhecessem desde sempre.
Chegados lá abaixo hora de refrescar, repôr forças, molhar os pés sem querer (oh pai) e ver 2 corajosos e meio a mergulhar nas águas geladas da mini-lagoa.
Adiante que se faz tarde... Siga para o Arado, final da caminhada. A Bruxa continua indisposta. Os miúdos esqueceram o GPS e tiveram que voltar atrás. Cruzamo-nos com um grupo de galegos. "olá" digo eu. Desta vez não me enganam. "Buenas" diz o Chino recordando férias na Galiza.
Um pequeno esforço na última súbida antes de descer à Cascata do Arado. A Bruxinha está pior, a progressão é difícil...
Começa a descida... a Bruxa chama pelo amigo Greeeegório e os joelhos do meu Pai tornam-se pouco colaborantes...
Lá chegamos todos. Entre feridos e aleijados todos se safaram...

P.S.: O Gerês está demasiado seco. Venha a chuva e o frio que tenho saudades... e ele também.

P.S.2: Obrigado a todos. Sinto-me tão bem em partilhar um pouco da minha paixão convosco. Desculpem se foi exagerado para algumas pernas.



quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Pedra Bela-Teixeira-Arado 20 Setembro 09


Caminhada (reconhecimento) do Aniversário

Pedra Bela-Teixeira-Arado

Manhã cedo partimos os três em direcção ao Gerês, eu a Nancy e o Defender.
O objectivo era testar o trilho que se vai fazer no sábado. Testar a ligação Teixeira-Arado, a única parte do trilho desconhecida. Testar sobretudo as pernas do ponto de vista físico para aferir até que ponto a caminhada é acessível a todos.
Conclusões: A caminhada é acessível a todos... ;)

Ficam algumas fotos como aperitivo...




Nancy e a Serra ao fundo


A Carvalha das Éguas


(...)


A descer para o Vale Teixeira




O abrigo da Teixeira


Todo o vale Teixeira...

As lagoas...


A ponte sobre o Rio Arado

A cascata do Arado

A cabra a rezar

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Acção de Limpeza: Calcedónia - Covide


No fim-de-semana de 5 e 6 de Setembro decorria uma Acção de Limpeza no PNPG promovida pelo Rui Barbosa do blogue Carris. Já no ano anterior eu tinha participado na 1.ª acção, mais localizada, que decorreu nas Minas dos Carris.

Este ano estava decidido a juntar-me nesta acção mais abrangente que incluía a zona do Vale Teixeira, Arado e Pedra Bela, Portela do Homem, Portela de Leonte, Mata da Albergaria, Carris e Pitões de Júnias.

Endereçei convites a alguns amigos e não obtive qualquer resposta. Compreendo que sair da cama às 07h00 de um sábado para ir limpar o lixo dos outros não seja muito apelativo...
De tal maneira que também eu adormeci...

Mas isso não me ia impedir. Na parte da tarde consegui reunir 2 nobres companheiros e decidimos partir para a zona da Calcedónia que não estava na lista das acções de limpeza mesmo sendo uma das zonas que recebe mais domingueiros no PNPG.

Começamos a caminhar por volta das 16h00 (muito tarde). Saímos da estrada que liga as caldas do gerês a Campo/Covide em direcção à Fenda da Calcedónia. O objectivo era ir à zona da Fenda, recolher o lixo que por lá houvesse e voltar pelo mesmo percurso para sermos 'recolhidos' pelo carro vassoura.

E então quem foram os 2 companheiros? Pois é, o Pulga (aka Zé) e o Eddie Tamisa (aka Tone). 12 anos e 18 anos acabadinhos de fazer, respectivamente.

Deixamo-nos envolver no misticismo que envolve a zona que antecede a entrada da Fenda... Árvores centenárias que brotam do granito, pedras sobrepostas, passagens por pequenas grutas, todo um cenário que nos leva ao imaginário do Indiana Jones, como referiu o Tone.

Chegamos à entrada da Fenda e lá estava ele: o lixo. Dezenas de garrafas de plástico espalhadas um pouco por toda a parte. Depois de recolhido o lixo, que encheu um saco, fomos espreitar a entrada da Fenda.

Pequeno parentesis
Se bem me lembro, esta foi a minha quarta ida àquele lugar. Duas tentativas iniciais de encontrar a entrada da Fenda e uma subida da mesma. Estas incursões anteriores foram com os meus companheiros de caminho, os pais da Liepa. E subir a Fenda foi uma experiência fabulosa. Pela aventura, pela sensação de perigo, pela cara de horror do pai da Liepa... :)
A Fenda terá cerca de 1 metro e qualquer coisa de largura, uns 30, 40 metros de altura e uns 60 de extensão (não são muito bom com estas coisas de distâncias), onde o Sol apenas entra por pequenas aberturas lá em cima. A ideia é subir pedra após pedra, arranhão após arranhão, puxa aqui, empurra ali, com muita entreajuda até desembocar numa estreita saída (a verdadeira luz ao fundo do túnel) que nos permite usufruir de uma vista 360º absolutamente fabulosa...
Fim do pequeno parentesis

Ali estavamos (eu, o pulga e o tone) a contemplar a imponência daquele lugar e a sentir a sua atracção (dá mesmo vontade - ou não - de ir por ali acima).
Claro que não podíamos ir, tinhamos o caminho de regresso para fazer. Decidimos não voltar para trás (qual é a piada disso?) e seguimos em direcção a Covide.

No total terão sido cerca de 7 km onde o mais importante foi termos dado o nosso contributo para manter o Parque Nacional Peneda-Gerês mais limpo, e mais uma tentativa de incutir o 'bichinho' das caminhadas aos 'meus' miúdos.

Acabamos a tarde num café em frente ao S. Bentinho da Porta Aberta a brindar à sensação de dever cumprido.





quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Vezeira


Dia 30 de Maio de 2009 fui com o 'povo' à Vezeira.

A Vezeira é um sistema de pastorícia comunitária tradicional que ainda se mantem no Gerês e em poucos outros 'lugares' do País.
Como o próprio nome indica, a vezeira consiste em juntar as cabeças de gado dos vários habitantes da Vila e guardá-los à vez.

Durante o Inverno o gado permanece nas cortes junto às casas. Na Primavera (15 Maio) o gado é levado para o cimo da Serra onde percorre os vários currais em busca do melhor pasto até 15 de Setembro, altura em que o gado volta a regressar à Vila.

De referir que o convite para me juntar ao pessoal foi endereçado pelo Filipe Pires (local de Vila da Veiga e membro da comissão pnpgcomgente) e pelo João Madeira (tio da nancy natural da Serra da Estrela e residente no Gerês).

Neste dia (30-05-09) subimos ao Vale Teixeira para render o pastor que tomava conta do gado.
Quando chegamos o 'pastor' dormia e foi acordado com toda a delicadeza que um bastão madeira pode ter ao bater nas folhas de zinco que servem de cobertura ao abrigo do Vale Teixeira.
Passagem de testemunho: faltam 2 vacas e há sopa no pote.



Instalamo-nos, deitou-se a sopa fora e começou-se a preparar novo manjar.

Rapidamente o João tomou conta da operação 'sopa no pote' enquanto o restante pessoal de divertia com o 'muitissimo' bem-disposto colega do Filipe que insistia em apalpar as vaquinhas recordando a infância em Trás-os-Montes. Do Barroso nem se aproximou (como convém)...

A sopa estava óptima e eu, infelizmente, tive que regressar ao Defender pois tinha o aniversário do meu afilhado (ZéPulga) no dia seguinte...

Tão triste fiquei que não relato mais nada (birra) apenas deixo o meu agradecimento a todos os que lá estiveram. Muito boa gente, gente do Gerês...




quarta-feira, 26 de agosto de 2009

25.500m + 32º = ?



22 Agosto 2009. Dia de caminhada. Encontro marcado às 08h30 na Montalegrense 2.
Quando cheguei já lá estava o Jota e, para não variar, o Tiago chegou em último. Pequeno-almoço e partida em direcção a Fafião, local de início da caminhada.
A ideia seria subir o estradão de fafião de Defender e começar a caminhar onde começa o trilho de pé posto evitando assim subir cerca de 3,5 km de estradão em terra. Chegados lá depressa concluímos que o caminho passado era demasiado técnico para aquelas horas da manhã (10h30) e, apesar da minha indicação da existência de uma estrada paralela que nos levaria àquele local, acabamos por iniciar a marcha ali mesmo deixando o Defender a descansar debaixo de um enorme carvalho. Algumas dezenas de metros depois eis que surge o respectivo caminho que eu tinha referido mas agora já não era altura de voltar atrás e lá seguimos estradão acima.
Tinhamos a caminhada praticamente definida: Fafião até Porto da Lage (mini-hídrica no meio da Serra), do Porto da Lage subiríamos pela encosta esquerda do Rio Touça sobranceiro às Sombrosas em direcção às Fichinhas. Chegados às Fichinhas Seguíamos em direcção à Rocalva para depois descer a Coução, Bicos Altos, Pousada, Ponte da Pigarreira e chegar de novo a Fafião. Este percurso, um dos trilhos da Vezeira de Fafião, acabou por sofrer algumas alterações que fomos discutindo ao longo do caminho.


Depois da penosa subida do estradão acabamos por iniciar o caminho de pé posto pela encosta direita do rio Fafião. À medida que vamos andando começam a mostrar-se as lagoas que fazem a delícia dos olhos em dias de calor (e não só). Águas tão verdes e tão límpidas que, como diria o Nel, parecem montagens do Photoshop… E eram tão apelativas que consegui convencer o Jota e arrastar a reticência do Tiago a, no regresso, descer ao longo do leito do rio.

Entretanto falhamos um trilho que pretendíamos percorrer e nos levaria igualmente a Porto da Lage mas a uma cota inferior e mais junto ao rio. Já noutra ocasião perdemos muito tempo a tentar encontrar este caminho que leva também a uma pequena ponte que cruza o rio Fafião e que nem aparece nas cartas militares nem chega a ser visível do trilho ‘superior’.
Chegamos ao Porto da Lage e decidimos almoçar no prado do Touça ligeiramente mais acima.


Local aprazível com sombra e uma bica de água. Alteramos então o percurso previamente definido. Íamos subir o Rio Laço encosta acima até alcançar o trilho do Coução partindo depois para a Rocalva, Fichinhas, Sombrosas, regressando a Porto da Lage para descer então pelo leito do Rio Fafião.
Começamos a subir até encontrar um curral muito bonito com um abrigo também muito bem conservado.
Percebe-se que este rio (laço) trará muita água no Inverno, a vegetação densa e rica não engana. Bebemos um pouco de água fresca e uma árvore intrigou-me (não conheço).
O trilho começava a fechar-se a as mariolas a escassear… Este trilho está claramente abandonado e muito poucos pares de botas ou cascos passaram por aqui nos últimos tempos. Pouco depois estávamos a fazer corta-mato encosta acima sem qualquer trilho visível e umas mariolas afastadas dezenas de metros aparentando sinais de demência…

Conseguimos alcançar o topo e paramos breves minutos para repor forças, comer uma peça de fruta e com ela desfrutar da esmagadora paisagem.

Seguimos então para a Rocalva que já nos vinha a piscar o olho amiúde. Maciço granítico gigantesco que impressiona pelo seu tamanho, pela forma, e pelo modo como parece vigiar os arredores qual torre sentinela…
O prado de Rocalva é lindíssimo! Uma zona de planalto (a 1250metros de altitude) entre a Rocalva e a Roca Negra que nos convida a ficar…
Foi nesta altura que nos apercebemos que estávamos os 3 com escassíssimas reservas de água... Erro crasso, sobretudo num dia de tamanho calor e quando tínhamos passado por rios com água fresca.
Estava na hora de seguir na esperança que um curso de água que aparece na carta em direcção às Fichinhas nos pudesse dar de beber.
As mariolas voltaram a pregar-nos uma partida e mais 30 minutos de corta-mato íngreme em descida com vegetação traiçoeira e pedaços de granito solto que, sonhando tornar-se patins, insistem em testar a aderência das nossas botas…
Cerca de 1 hora depois de termos saído do prado/curral da Rocalva, encontramos finalmente o tal curso de água que aparecia na carta. Tendo estranhado a origem daquela água e não correndo com a pressa habitual com que os riachos do Gerês me habituaram, decidi apenas me refrescar e não beber. O jota não bebeu mas aprovisionou-se ‘just in case’, o Tiago não fez quaisquer cerimónias.
Depressa chegamos ao Touça e, com o avançar do dia, as sombras começavam a subir sombrosas acima.
Aguentei mais um pouco decidindo beber apenas no prado donde iniciamos a subida do Laço. A sede foi saciada com a sofreguidão de quem não bebe há 2 horas. A falta de água e as últimas subidas tinham rebentado comigo… Começo a perceber o cansaço pela apetência que os meus pés ganham para se deitarem de lado. O cansaço tira-nos o discernimento e, não colocando os pés nos locais correctos, aumentamos seriamente o risco de fazer uma entorse.
A minha fadiga correspondia a apenas cansaço nos meus mais experimentados companheiros. Mas também eles já não se sentiam impelidos a cumprir o desiderato de descer rio abaixo e, como tal, seguimos o mesmo trilho que nos trouxera a Porto da Lage.
Penosos quilómetros de caminho até ao estradão e penosos quilómetros de caminho estradão abaixo até chegarmos ao Defender, que aguardava pacientemente, já sem luz cerca das 21h00.
O GPS do Jota indicava 25.500 metros de caminhada e 27º às 21h00…
O Sporting-Braga começava dali a nada e portanto foi tempo de desequipar (trocar roupa e calçado) e arrancar.
Paramos no café em Fafião para comprar uns sumos e uma Super Bock (para quem terá sido?) e seguimos caminho a ouvir o senhor da Antena 1 gabar-se que emitia para todo o mundo (incluindo EUA, África e outras terras longínquas) enquanto o nosso sinal era constantemente sobreposto pela RFM…

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Vidoeiro - Carvalha das Éguas - Pedra Bela - Vidoeiro (17.05.2009)


Encontrei a Serra como gosto dela… molhadinha ;) !...
A chuva faz correr riachos e torna o Gerês mais genuíno. Claro que também atraí menos domingueiros (como eu) o que é óptimo.
Tinha-me decidido a vaguear a Serra e partilhar com ela a chuva que ia caindo ora mais atrevida, ora mais tímida.
Não sabia muito bem para onde ir mas tinha em mente o Trilho dos Currais. O tempo era apertado, cheguei às pontes do Rio Caldo depois do meio-dia e tinha que estar ao final da tarde em Cantelães para a festa de aniversário da Maria João. Decidi parar no Posto de Turismo, primeiro para ver como funciona o apoio ao turista e depois para arranjar um mapa do trilho pois ia às escuras.
Fui atendido por uma senhora que não primava pela enverguradura física, a bem dizer, dava-me pelo sovaco… mas compensava na simpatia e disponibilidade apesar de poucos minutos depois me aparceber que percebia tanto dos trilhos e caminhos como eu de Eng.ª Aeronaútica.
Usava constantemente o termo “Sr. Turista” (categoria!) e, após algumas voltas em mapas e brochuras de trilhos acabei por não decidir nada e saí de lá com a promessa (várias vezes repetidas) que a Senhora iria falar com a Camara Municipal para ser colocado gradeamento à saída da Fenda da Calcedónia… pois está muito bem.
Começei a subida para o Gerês indeciso entre fazer meio Trilho dos Currais ou teimar mais uma vez em encontrar o caminho do Gerês para a Junceda. Decidi pelos Currais.
Ao passar na Vila deu para ver um pouco da festa. Celebrava-se a Vezeira, altura do ano em que, chegada a Primavera e o tempo menos agreste nos topos da Serra, os pastores levam o gado para os prados e currais espalhados um pouco por toda aquela magnífica paisagem.
Estacionei o carro no Parque de Campismo do Vidoeiro e começei a equipar-me. Chovia.
Iniciei a marcha à uma da tarde… Dureza… o início do trilho é bastante ingreme e levou a que o ritmo fosse pausado q.b.. Felizmente, continuava a chover.
Pouco menos de uma hora a subir, e para descansar um pouco, brinquei às escondidas durante 15 minutos com um esquilo. O raio do bicho não parava para a foto e teimava em esconder-se atrás do tronco da árvore mas lá consegui sacar-lhe uma pose.
Um pouco mais de subida e eis-me chegado ao Curral da Espinheira. Aqui parei para ‘almoçar’, um pão com queijo e fiambre e uma barra de cereais… (tenho que começar a tratar-me melhor).
Pés ao caminho e chego ao Curral da Carvalha das Éguas. As vaquinhas, bois e vitelos já lá estavam… que rica chicha!!!

Depois de umas fotos segui caminho já decidido a completar o trilho e não ficar pela metade.
Mas eis que me encontro numa pequena encruzilhada… um caminho segue em frente e outro flecte para a esquerda, ambos (ou nenhum) marcados. Sabia que a dada altura teria que começar a contornar à esquerda em direcção ao Teixeixa. Hesitei e decidi seguir em frente e explorar, sabia que, na pior das hipóteses desembocava na Pedra Bela. E assim foi.
Contemplei a dança da neblina lá do topo e decidi descer ao carro.

Um ou dois atalhos por monte e uma penosa descida em alcatrão acompanhada da música pimba de fundo vinda lá de baixo da Vila. “Morena, oh morenita, cada dia tu estás…sempre mais bonita”.
Fui recolhendo umas mini pinhas e uns cheirinhos de eucalipto, desafiei o S. Pedro a mandar uma carga de água (não me ouviu) e cheguei cá abaixo onde ainda encontrei um solitário Biólogo Brasileiro a caminho de Santiago de Compostela que me deu os parabéns (a mim, na pessoa do Povo Português, presumo) pelas infraestuturas que encontrou ali no Vidoeiro.

A aventura terminou onde começara, cerca de 4 horas depois. Fica a promessa de voltar para fazer o trilho (completo) no sentido inverso.
Senti falta dos meus habituais companheiros de caminho. Uma estava a encher a afilhada de beijos e os outros à espera da ‘Liepa’ e a escolher a melhor mochila para a transportar em futuras caminhadas…