Encontrei a Serra como gosto dela… molhadinha ;) !...
A chuva faz correr riachos e torna o Gerês mais genuíno. Claro que também atraí menos domingueiros (como eu) o que é óptimo.
Tinha-me decidido a vaguear a Serra e partilhar com ela a chuva que ia caindo ora mais atrevida, ora mais tímida.
Não sabia muito bem para onde ir mas tinha em mente o Trilho dos Currais. O tempo era apertado, cheguei às pontes do Rio Caldo depois do meio-dia e tinha que estar ao final da tarde em Cantelães para a festa de aniversário da Maria João. Decidi parar no Posto de Turismo, primeiro para ver como funciona o apoio ao turista e depois para arranjar um mapa do trilho pois ia às escuras.
Fui atendido por uma senhora que não primava pela enverguradura física, a bem dizer, dava-me pelo sovaco… mas compensava na simpatia e disponibilidade apesar de poucos minutos depois me aparceber que percebia tanto dos trilhos e caminhos como eu de Eng.ª Aeronaútica.
Usava constantemente o termo “Sr. Turista” (categoria!) e, após algumas voltas em mapas e brochuras de trilhos acabei por não decidir nada e saí de lá com a promessa (várias vezes repetidas) que a Senhora iria falar com a Camara Municipal para ser colocado gradeamento à saída da Fenda da Calcedónia… pois está muito bem.
Começei a subida para o Gerês indeciso entre fazer meio Trilho dos Currais ou teimar mais uma vez em encontrar o caminho do Gerês para a Junceda. Decidi pelos Currais.
Ao passar na Vila deu para ver um pouco da festa. Celebrava-se a Vezeira, altura do ano em que, chegada a Primavera e o tempo menos agreste nos topos da Serra, os pastores levam o gado para os prados e currais espalhados um pouco por toda aquela magnífica paisagem.
Estacionei o carro no Parque de Campismo do Vidoeiro e começei a equipar-me. Chovia.
Iniciei a marcha à uma da tarde… Dureza… o início do trilho é bastante ingreme e levou a que o ritmo fosse pausado q.b.. Felizmente, continuava a chover.
Pouco menos de uma hora a subir, e para descansar um pouco, brinquei às escondidas durante 15 minutos com um esquilo. O raio do bicho não parava para a foto e teimava em esconder-se atrás do tronco da árvore mas lá consegui sacar-lhe uma pose.
Um pouco mais de subida e eis-me chegado ao Curral da Espinheira. Aqui parei para ‘almoçar’, um pão com queijo e fiambre e uma barra de cereais… (tenho que começar a tratar-me melhor).
Pés ao caminho e chego ao Curral da Carvalha das Éguas. As vaquinhas, bois e vitelos já lá estavam… que rica chicha!!!
Depois de umas fotos segui caminho já decidido a completar o trilho e não ficar pela metade.
Mas eis que me encontro numa pequena encruzilhada… um caminho segue em frente e outro flecte para a esquerda, ambos (ou nenhum) marcados. Sabia que a dada altura teria que começar a contornar à esquerda em direcção ao Teixeixa. Hesitei e decidi seguir em frente e explorar, sabia que, na pior das hipóteses desembocava na Pedra Bela. E assim foi.
Contemplei a dança da neblina lá do topo e decidi descer ao carro.
Um ou dois atalhos por monte e uma penosa descida em alcatrão acompanhada da música pimba de fundo vinda lá de baixo da Vila. “Morena, oh morenita, cada dia tu estás…sempre mais bonita”.
Fui recolhendo umas mini pinhas e uns cheirinhos de eucalipto, desafiei o S. Pedro a mandar uma carga de água (não me ouviu) e cheguei cá abaixo onde ainda encontrei um solitário Biólogo Brasileiro a caminho de Santiago de Compostela que me deu os parabéns (a mim, na pessoa do Povo Português, presumo) pelas infraestuturas que encontrou ali no Vidoeiro.
A aventura terminou onde começara, cerca de 4 horas depois. Fica a promessa de voltar para fazer o trilho (completo) no sentido inverso.
Senti falta dos meus habituais companheiros de caminho. Uma estava a encher a afilhada de beijos e os outros à espera da ‘Liepa’ e a escolher a melhor mochila para a transportar em futuras caminhadas…
1 comentário:
É bem, malandro!!
Tenho inveja desta tua paixão e força de vontade!
:D
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