quarta-feira, 26 de agosto de 2009

25.500m + 32º = ?



22 Agosto 2009. Dia de caminhada. Encontro marcado às 08h30 na Montalegrense 2.
Quando cheguei já lá estava o Jota e, para não variar, o Tiago chegou em último. Pequeno-almoço e partida em direcção a Fafião, local de início da caminhada.
A ideia seria subir o estradão de fafião de Defender e começar a caminhar onde começa o trilho de pé posto evitando assim subir cerca de 3,5 km de estradão em terra. Chegados lá depressa concluímos que o caminho passado era demasiado técnico para aquelas horas da manhã (10h30) e, apesar da minha indicação da existência de uma estrada paralela que nos levaria àquele local, acabamos por iniciar a marcha ali mesmo deixando o Defender a descansar debaixo de um enorme carvalho. Algumas dezenas de metros depois eis que surge o respectivo caminho que eu tinha referido mas agora já não era altura de voltar atrás e lá seguimos estradão acima.
Tinhamos a caminhada praticamente definida: Fafião até Porto da Lage (mini-hídrica no meio da Serra), do Porto da Lage subiríamos pela encosta esquerda do Rio Touça sobranceiro às Sombrosas em direcção às Fichinhas. Chegados às Fichinhas Seguíamos em direcção à Rocalva para depois descer a Coução, Bicos Altos, Pousada, Ponte da Pigarreira e chegar de novo a Fafião. Este percurso, um dos trilhos da Vezeira de Fafião, acabou por sofrer algumas alterações que fomos discutindo ao longo do caminho.


Depois da penosa subida do estradão acabamos por iniciar o caminho de pé posto pela encosta direita do rio Fafião. À medida que vamos andando começam a mostrar-se as lagoas que fazem a delícia dos olhos em dias de calor (e não só). Águas tão verdes e tão límpidas que, como diria o Nel, parecem montagens do Photoshop… E eram tão apelativas que consegui convencer o Jota e arrastar a reticência do Tiago a, no regresso, descer ao longo do leito do rio.

Entretanto falhamos um trilho que pretendíamos percorrer e nos levaria igualmente a Porto da Lage mas a uma cota inferior e mais junto ao rio. Já noutra ocasião perdemos muito tempo a tentar encontrar este caminho que leva também a uma pequena ponte que cruza o rio Fafião e que nem aparece nas cartas militares nem chega a ser visível do trilho ‘superior’.
Chegamos ao Porto da Lage e decidimos almoçar no prado do Touça ligeiramente mais acima.


Local aprazível com sombra e uma bica de água. Alteramos então o percurso previamente definido. Íamos subir o Rio Laço encosta acima até alcançar o trilho do Coução partindo depois para a Rocalva, Fichinhas, Sombrosas, regressando a Porto da Lage para descer então pelo leito do Rio Fafião.
Começamos a subir até encontrar um curral muito bonito com um abrigo também muito bem conservado.
Percebe-se que este rio (laço) trará muita água no Inverno, a vegetação densa e rica não engana. Bebemos um pouco de água fresca e uma árvore intrigou-me (não conheço).
O trilho começava a fechar-se a as mariolas a escassear… Este trilho está claramente abandonado e muito poucos pares de botas ou cascos passaram por aqui nos últimos tempos. Pouco depois estávamos a fazer corta-mato encosta acima sem qualquer trilho visível e umas mariolas afastadas dezenas de metros aparentando sinais de demência…

Conseguimos alcançar o topo e paramos breves minutos para repor forças, comer uma peça de fruta e com ela desfrutar da esmagadora paisagem.

Seguimos então para a Rocalva que já nos vinha a piscar o olho amiúde. Maciço granítico gigantesco que impressiona pelo seu tamanho, pela forma, e pelo modo como parece vigiar os arredores qual torre sentinela…
O prado de Rocalva é lindíssimo! Uma zona de planalto (a 1250metros de altitude) entre a Rocalva e a Roca Negra que nos convida a ficar…
Foi nesta altura que nos apercebemos que estávamos os 3 com escassíssimas reservas de água... Erro crasso, sobretudo num dia de tamanho calor e quando tínhamos passado por rios com água fresca.
Estava na hora de seguir na esperança que um curso de água que aparece na carta em direcção às Fichinhas nos pudesse dar de beber.
As mariolas voltaram a pregar-nos uma partida e mais 30 minutos de corta-mato íngreme em descida com vegetação traiçoeira e pedaços de granito solto que, sonhando tornar-se patins, insistem em testar a aderência das nossas botas…
Cerca de 1 hora depois de termos saído do prado/curral da Rocalva, encontramos finalmente o tal curso de água que aparecia na carta. Tendo estranhado a origem daquela água e não correndo com a pressa habitual com que os riachos do Gerês me habituaram, decidi apenas me refrescar e não beber. O jota não bebeu mas aprovisionou-se ‘just in case’, o Tiago não fez quaisquer cerimónias.
Depressa chegamos ao Touça e, com o avançar do dia, as sombras começavam a subir sombrosas acima.
Aguentei mais um pouco decidindo beber apenas no prado donde iniciamos a subida do Laço. A sede foi saciada com a sofreguidão de quem não bebe há 2 horas. A falta de água e as últimas subidas tinham rebentado comigo… Começo a perceber o cansaço pela apetência que os meus pés ganham para se deitarem de lado. O cansaço tira-nos o discernimento e, não colocando os pés nos locais correctos, aumentamos seriamente o risco de fazer uma entorse.
A minha fadiga correspondia a apenas cansaço nos meus mais experimentados companheiros. Mas também eles já não se sentiam impelidos a cumprir o desiderato de descer rio abaixo e, como tal, seguimos o mesmo trilho que nos trouxera a Porto da Lage.
Penosos quilómetros de caminho até ao estradão e penosos quilómetros de caminho estradão abaixo até chegarmos ao Defender, que aguardava pacientemente, já sem luz cerca das 21h00.
O GPS do Jota indicava 25.500 metros de caminhada e 27º às 21h00…
O Sporting-Braga começava dali a nada e portanto foi tempo de desequipar (trocar roupa e calçado) e arrancar.
Paramos no café em Fafião para comprar uns sumos e uma Super Bock (para quem terá sido?) e seguimos caminho a ouvir o senhor da Antena 1 gabar-se que emitia para todo o mundo (incluindo EUA, África e outras terras longínquas) enquanto o nosso sinal era constantemente sobreposto pela RFM…

1 comentário:

Preto disse...

Para registo futuro esta árvore é um Teixo. Já tinha falado muito nela mas não a conhecia pessoalmente. :)
Madeira muito cobiçada pelos construtores navais pela altura dos Descobrimentos devido à sua elasticidade e resistência.